MATA TEU PAI

Texto: Grace Passô Direção: Inez Viana Elenco: Debora Lamm Entre as maiores dificuldades está a de me desvencilhar dos vícios de entendimento do feminino. Sendo homem, certamente a minha educação esconde de modo muito perturbador um panteão de julgamentos e preconceitos que me formataram, exigindo esforço e consciência. Aceitar essa deformação é dolorido e triste. E, sobretudo, fundamental. Então sou apenas, na melhor possibilidade, uma tentativa; jamais um acerto. E o feminino que precisa ser também meu e para mim, esvai, evapora, restando um sujeito plano e conduzido, pequeno e impreciso, perigoso e problemático. É preciso encontrar outras maneiras de recuperar o inexistente. Atrair o voca

Blank

de Nassim Soleimanpour Quando Nassim Soleimanpour surgiu nos trópicos, havia pouca informação sobre sua escrita. Iraniano, sabia-se apenas que o dramaturgo inventava estratégias para peças que buscava viabilizar fora de seu país, para quem, onde e em quais condições ele mesmo não conhecia. Vimos, então, circular nos palcos brasileiros Coelho Branco, Coelho Vermelho. Segue assim, trazendo atores e atrizes convidados para cada apresentação, Blank, sua nova produção apresentada por aqui. No entanto, há uma distância evidente. Blank é menos desafiador, menos aberto aos convidados que acabam se valendo como narradores e organizadores do texto construído improvisadamente junto ao público, a partir

LOUCA PELO CHEIRO DE MAR

de André Masseno colaboração Tuca Pinheiro Algumas conclusões não são fáceis e demandam coragem e espera. Torná-las imagens, sem que se firmem discursos unilaterais ou dogmáticos, mais ainda. O fato é que a estreia de Louca pelo cheiro de mar, de André Masseno ainda irá crescer muito como experimento, e por dois motivos: primeiro, por evidentemente ser um espetáculo que exige do performer um convívio complexo que só surgirá com tempo, quando então ritmos e estrutura estão tão desgastados pelo convívio a ponto de produzirem uma saborosa e fundamental inconsciência; segundo, porque aquilo que aborda, nosso país e nossas idiossincrasias viciadas e fugidias, esfacela-se cada dia mais, e aquilo q

OLYMPIA e O QUE PODEMOS DIZER DO PIERRE

de Vera Mantero EDois espetáculos. Ou duas partes de um mesmo? Vera Mantero vem construindo um percurso por festivais importantes, então, obviamente, era aguardada com certa curiosidade por todos. O que, na verdade, não é bom. Expectativas nunca oferecem o melhor meio ao encontro com artistas e obras. E essa reunião de pedaços ou de reunião comprova bem isso. O primeiro a ser apresentado, Olympia inicia de modo instigante. O corpo aparentemente frágil arrastando a cama em uma diagonal de luz parece suspender o tempo e tornar a mulher em cena o que de mais solitário existe. O percurso poderia durar horas e difilmente nos cansaríamos de assistir a construção narrativa desse corpo em esgotament

percurso
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