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Uma Peça por Outra

Texto: Jean Tardieu

Direção: Brian Penido e Guilherme Sant'Ana

Teatro Aliança Francesa, SP

Raro é o dia em que a tradição , quando conserva valores complexos e inclusivos, em instâncias formais conscientes da importância da própria forma, vem a decepcionar o expectador que escapa da média do leitor nacional (dois livros ao ano). Este trabalho que abre sua profusão de excelentes e bem trabalhadas cenas com um quadro inicial protagonizado por Brian Penido (também diretor) e Clara Carvalho, já neste instante revela sua vocação e predileção pela perfeição e a ruptura com a mediocridade do tempo presente (na cultura, nas artes e na política). Clara e Brian não ensinam nada aos jovens atores, pois não carregam didatismo algum em suas performances. Entretanto, os jovens atores, certamente, ao vê-los desempenhar tão preciosas partituras, percebem a falta de rigor da arte paulista neste começo de milênio, e, agonicamente percebem como é preciso respeitar a profissão para que algum dia possam, honradamente, compartilhar do mesmo registro profissional que estes dois milimétricos artistas. São mestres irretocáveis perambulando através das bem incrustadas gags do texto como fosse simples extrair de uma tradução todo o potencial cômico e dramático ali sobreposto pelo novo idioma. Oportuno momento em que vemos a parte menos experiente do elenco seguir os focados passos da dupla e da direção. Existe, neste movimento e nesta rara atmosfera, não apenas um sentido de realização da obra. O que existe ali, no calcanhar de um senso apurado, a consciência do ofício do ator e do verdadeiro dever do artista, sem dúvida alguma é esta noção de permanecia e a um só tempo constrói um Movimento Estético no Teatro Brasileiro. Figurinos tão eficazes quanto é prodigiosa a cenografia, atores tão inteligentes quanto foi brilhante a escolha do texto, e, sem roubar a cena, iluminação eficiente, centrada. Organizada trilha sonora. Excelente trabalho a ser lembrado e revisitado. E que as vanguardas nunca se esqueçam de pintar quadros de qualidade fotográfica antes de optar pela desconstrução do que jamais esteve ali construído. Montagem e elenco que trazem fôlego para que daqui até o futuro haja qualquer reste herança da radicalidade de grupos como Arena, Oficina, Macuinaima, TBC e Ornitorrinco e TAPA e Das Dores de Teatro.

foto Claudinei Nakasoni

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