BLACK OFF

 

direção: Ntando Cele

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se não houvesse pele, que limite seria imposto para diferenciar os corpos? Se não houvesse pele, o que inventariamos para discriminar uns aos outros? A cor dos olhos? Ops, o azul é rei. A ironia e o humor são arrebatadoras quando em vez de rir do outro o riso é de si e sobre si mesmo, sobre as condições impostas a si, sobre o destino fatal. "Black off" provoca um desconforto em todos. Ele desmistifica discursos prontos e domesticados. "Black off" foge do discurso dócil. Ele convoca a todos pro diálogo! Nos faz existir em ato, em confronto. À São Paulo que chama todo nordestino de nortista, que costuma ignorar os estados nordestinos e resumir todos eles à Bahia, é surpreendente - e bastante entusiasmante - ver a personagem se referindo à cidade desvairada por "Rio de Janeiro". Que se foda a arte. Que se foda o politicamente correto e as obviedades."Black off" propõe um debate por uma nova humanidade (por uma outra globalização, já dizia Milton Santos).

(ANA CAROLINA MARINHO)

 

foto Janosch Abel

 


 

 

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