REVOLUÇÃO EM PIXELS

 

direção: Rabih Mroué

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que lugar "Revolução em Pixels" destina ao espectador? Não há como negar a importância do registro audiovisual de manifestações como instrumento para mobilização. Em tempo real, ele toma uma dimensão ainda mais profunda. O "ao vivo" alarga a impressão de imparcialidade, o "ver pra crer". Porém todo processo de registro é um processo de recorte do real e de escolha do quadro. Ao contrário do que propõe Rabih Mroué não acredito que o cinegrafista que filma a iminência de sua morte não se dá conta do que pode acontecer consigo; ao contrário, suspeito que ele está devidamente ciente do risco e o que o faz persistir é a compreensão do lugar espectador: ele o torna presente e fim para pular no abismo. Tomando consciência do material criado, ele não encerra a filmagem antes de seu fim. O cinegrafista, a cada plano, arrisca sua vida. E qual o risco que o espetáculo toma pra si? O que o difere da ação "Pensamento em Processo" que aconteceu posterior a ele? Talvez fosse mais honesto que as luzes estivessem acesas e que pudéssemos acompanhar à palestra com os caderninhos na mão.

(ANA CAROLINA MARINHO)

 

 

Mas então não deveria ter produzido a Revolução Em Pixels em pixels? Um vídeo no YouTube perfeito para a exploração da metalinguagem? Ou talvez colocar o local ou espaço em conflito com a forma temática (ou temática da forma)? Ou será que já estamos tão sedados, ou ainda dissipados de nossa humanidade, que é preciso ocupar um espaço teatral de palco italiano, um palestrante, uma mesa, um iBook e uma mostra Internacional para chamar atenção para a questão do mártir da documentação rebelde? O olho da câmera versus o olho do fuzil, o olho da quarta parede versus o olho do performer? Há um abismo de estrutura, mas incômodo e tênue, por( )que ainda assim cativante {O ponto (final} de interrogação).

(CLAUCIO ANDRÉ) 

 

foto Rabih Mroué

 

 


 

 

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