Café: o Oriente encontra o Ocidente

November 23, 2016

 

 

 

 

 

 

 

com Pera Ensemble (Alemanha/Turquia)

Sesc Consolação | SP | 22/11/16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história do café não é tão simples. Surge em Paris apenas no início da segunda metade do século XXVII, pelas mãos do embaixador turco. Em sua chegada, tentou-se proibição papal, mas não deu; provocou conflitos culturais e políticos na capital francesa, dentre os quais o que levou Molière a escrever O Burguês Fidalgo. A bebida conquistou não só a França, aos poucos, toda a Europa, definindo novos comportamentos e modos de convivência ao Ocidente. Parte desse início, o concerto do Pera Ensemble, cujo nome nada tem com a fruta, mas com o bairro de Istambul de onde é originário. Fosse apenas trazer a nós o Ato Turco que inicia o concerto, de Jean-Baptiste Lully, o programa seria limitado à representação do compositor. No entanto, o Pera Ensemble ousa ao criar musicalmente uma narrativa ao percurso do café, envolvendo nela uma história de amor aos moldes trovadorescos e românticos. Com 23 composições, dentre as quais 12 acompanhadas por canções líricas e populares, artistas importantes como Antonio Sartorio e Caludio Monteverdi se misturam a cantigas anônimas barrocas. A presença da narrativa torna ainda curiosa a reunião das composições escolhidas. Com um excepcional time de instrumentistas, chamam atenção a delicadeza e precisão de Daniel Zapico na guitarra barroca e o teorba (instrumento italiano gigantesco de cordas, do século XVI), e a dupla de violinistas, sobretudo a russa Maria Kaluzhskikh. A exigência técnica do barroco é grande, e executá-la não é tão simples como em outros períodos, mas não parece ser um problema ao conjunto, com pequenos deslizes nas finalizações, localizados principalmente na percussão. Pera Ensemble emociona e conquista o público no Sesc Consolação, mesmo com pontuais problemas no manejo do som. Além de um movimento raro em concertos construídos por libretos: o bis com uma composição ainda não executada, como que seduzindo o público por haver muito mais possível a ser explorado. Bom, torcemos para que sim. 

crédito fotográfico não informado.

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