Gif

November 14, 2016

 

 

 

 

 

 

Texto e Direção Coletiva  

Elenco: Filipe Felix, Gabriel José, Heitor Muniz, Nino Batista

intercâmbio Unirio

Estação Satyros | 13/11/16 | 23h

 

Se fosse para definir em uma palavra o trabalho de pesquisa de teatro físico apresentado pelo grupo seria resistência. Há duas resistências que se confrontam, ora como forças polarizadas, ora como complementares: a de cunho semântico e a de movimento. Embora bastante marcada pelo conceito da instantaneidade, conseguido com o recurso de iluminação, senti falta de um maior desenvolvimento da resistência na palavra. A repetição, bem como a leitura maçante de um texto repleto de ‘juridiquês’ sobre a PEC 241 – que agora, no Senado, foi rebatizada de PEC 55 – dão o exato tom do massacrar. É possível representar o resistir expondo um massacre, ainda que de palavras. E por isso quando a linha poética aparecia – e aqui não digo em forma, mas no conteúdo – a poiesis da forma, que é e deve ser a grande característica desse trabalho, perdia o tônus.

O uso de linguagem cruzada propiciou transformar um violão – que até estava sendo usado como tal – com a ajuda da lanterna de um celular em canhão de luz, numa construção cênica acertada, que ressalta a pesquisa de teatro físico a que se propõe o trabalho e, mais que isso, coloca o movimento acima da palavra. A ação não é mais que o verbo. Nesse caso a ação é o verbo. E por essa razão, questiono se a palavra inteligível é fundamental na construção dramatúrgica de GIF. Eu desconfio que não. As fotografias instantâneas que acabam formando a narrativa da peça são um caminho a ser cada vez mais desenvolvido. O verbo como plástica pode funcionar, mas não como construção de narrativa. O movimento dos atores vira dança repleta de signos e precede, de fato, a palavra, que, nesse caso, são como os “gifs”, como representação do que se consome de imagem no mundo virtual, são voláteis, duram um segundo e fim.

 

 

 

 

 

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